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Quinta-feira,
16 de dezembro de 2004

 


Superando o “medo” da tecnologia

Geração que não cresceu junto ao micro descobre suas facilidades e até se “vicia”

Cortesia
Fátima superou fase do bate-papo e hoje só faz pesquisas

Viviane Ferrão viviane@folhape.com.br

         Frente às novas tecnologias, existem dois grupos que se destacam de modo especial. De um lado, estão aquelas pessoas que usam e abusam excessivamente dos recursos. No outro extremo, estão aqueles que apresentam grande dificuldade na utilização dos aparatos por vários motivos: medo, escassez de recursos financeiros, falta de conhecimentos ou a inadequação do equipamento. Se há os "viciados", existem também as pessoas que apresentam uma espécie de "fobia" à informática.
         Isso acontece, principalmente, nas pessoas que não nasceram nem cresceram na "Era Digital". Ter consciência dos benefícios da tecnologia no cumprimento das atividades já não é mais novidade, por isso mesmo, a importância de superar os desafios e encarar as deficiências e o atraso, geralmente por pessoas acima dos cinqüenta anos. O número de pessoas mais maduras na busca de se informatizar é mostrado pelos dados do Ibope eRatings, que calcula que 1,5% dos 6,3 milhões de internautas domésticos brasileiros têm mais de 65 anos.
         Muitas pessoas sofrem com isso, por se acharem incapazes de aprender e, assim, criando bloqueios.No entanto, quando os novos usuários pegam gosto pela "novidade", aqueles, que antes faziam parte do grupo dos tecnofóbicos, migram para a ala dos "viciados". É o caso de Resomar, que prefere não identificar sua identidade real, mas a do mudo virtual, o nick. Ela tem um vasto currículo na Net, de fazer inveja a muitos adolescentes. São 15 blogs, nem todos ativados, com textos próprios, poemas em versos livres, resumos de livros e ainda está concluindo o 12° e-book de contos e poemas publicados pela a Academia Virtual Brasileira de Letras (AVBL).
         "Sou viciada, confesso. O computador é uma droga séria. Deixei de caminhar para ficar na frente dele", afirma Resomar, que também iniciou sua vida de internauta a partir de um cursinho de informática básica e pela a ajuda de familiares.
         O impulso para começar a desmistificar o micro começa com as necessidades de se manter atualizado para desempenhar as funções do trabalho ou mesmo de uma nova área de interesse. Fátima Medeiros, dona de casa e estudante de Pedagogia, começou com dificuldades para mexer no mouse, foi se familiarizando com a setinha através dos jogos, evoluiu para as salas de bate-papo e hoje utiliza a Net como ferramenta de pesquisa para assuntos ligados à universidade. "Entro todos os dias, pesquiso no Google, mas não passo mais do que uma hora, pois tenho muitos compromissos. Hoje, não desperdiço mais meu tempo com bate-papo. Acho ridículo", afirma.
         No começo, há cinco anos, o PC era um mero substituto da máquina de escrever. Hoje, Elisabet Moreira declara: "Não consigo viver sem ele". Além de digitar textos e fazer pesquisas, o micro age como grande facilitador, pois ela mora em Petrolina e costuma fazer compras online. Todos os dias passa, em média, quatro horas conectada, manda e-mail para amigos e família e, atualmente, um dos vícios são as fotos digitais. Com o objetivo de se especializar, pela primeira vez, está fazendo um curso de Photoshop.




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