24/06/2006 Digital x papel: quem vai
vencer esta guerra
editorial
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| Júlia
Veras |
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| Este mês, o grupo
editorial francês La Martinière entrou com uma
ação contra o Google por disponibilizar on-line e
sem autorização partes de quase100 publicações das
empresas que fazem parte do grupo. Desde o ano
passado, o site de buscas escaneia milhões de
livros com o objetivo de criar uma imensa
"biblioteca virtual", que permita uma pesquisa
rápida a respeito de qualquer assunto. De acordo
com a empresa, esta coleção não irá permitir a
leitura ou cópia integral das obras, apenas
indicar aos internautas em que obras podem ser
encontradas determinadas informações.
Embora as previsões de especialistas
apontem para o fato de que em breve o mercado
editorial, em algum tempo seja tomado por
publicações digitais, a idéia ainda parece
estranha para muita gente. Deixando de lado as
questões judiciais que envolvem o Google, é
relevante discutir as vantagens e desvantagens que
os livros eletrônicos, os ebooks, apresentam,
tanto para o leitor, os escritores e o mercado
editorial. virtualismo A professora de
português e responsável pela Academia Virtual
Brasileira de Letras, Maria Inês Simões, é
taxativa, e afirma que estamos vivendo uma
época que vai se tornar um marco para uma nova
corrente literária, o virtualismo. "Hoje, quando
um escritor faz a sua obra, tem que se utilizar de
tecnologia, tornando-a muito mais completa e
agradável para o leitor. Se alguém quiser, por
exemplo, fazer uma história infantil, poderá
acrescentar músicas, efeitos que a façam mais
atraente" argumenta. Mas para Maria Inês, o mais
importante é mesmo a questão da democratização da
leitura. "Qualquer pessoa hoje pode entrar na
internet e ler, e até imprimir, obras importantes
e clássicos da literatura, que talvez não tivesse
condições de comprar. Na AVBL, todas as obras
podem ser baixadas gratuitamente, mas mesmo as
pagas custam muito mais barato do que as
impressas" Há cinco anos a frente do
site ebookcult e da editora Giz, Ednei Procópio
acredita que embora esse seja um nicho que vai se
expandir, é preciso que as editoras controlem as
tecnologias necessárias, evitando que esses
serviços acabem sendo prestados por outras
empresas. O ebookcult tanto disponibiliza obras
que tem que ser compradas, ou seja protegidas por
direitos autorais, como aquelas que são de domínio
público, e podem ser baixadas gratuitamente. Só em
2005, o site registrou 352.828 downloads, entre
pagos e livres. "Embora os nossos números estejam
distantes dos livros de papel, temos muito o que
crescer. Se nós editores não tomarmos consciência
disso logo, empresas como a Microsoft ou o Google
acabarão por tomar um espaço que é nosso".
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