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Quem passou 31 anos de sua vida servindo o
Exército em todo o País certamente tem muitas histórias para contar. Pelo
menos o tenente reformado Orlando Álvares de Araújo tem. Algumas delas
verídicas, outras levemente aumentadas e com um toque de humor
transformaram-se no livro “Coisas da Caserna e Estórias do Zé
Birruguinha”, publicado no final do ano passado pela Editora
AVBL.
São aproximadamente 70 causos muito engraçados entre
histórias de pescador – que Araújo conhece bem –, narradas pelo personagem
fictício Zé Birruguinha, e relatos, alguns inventados, que envolvem a
rotina dos militares, como “Inspeção no Rancho”.
Neste causo, uma
comitiva do Exército encontra um rato no caldeirão de feijão servido aos
recrutas em um acampamento. De acordo com Araújo, o fato nunca aconteceu,
mas muitos o tomaram como verdade. Tanto que o cabo responsável pela
cozinha do referido acampamento foi vítima de gozações dos colegas por
muito tempo.
As histórias só se tornaram públicas graças ao
incentivo de uma das filhas de Araújo, que vendo o sucesso dos causos do
pai nas rodas de amigos, insistiu na idéia. Mas a realização só foi
realmente possível pelo financiamento de outra filha do escritor, que
custeou todo o trabalho.
Os relatos foram todos manuscritos e
depois datilografados por Araújo, num processo que levou mais de três
anos. “Depois de aposentado, decidi ocupar meu tempo. Não tive pressa, fiz
tudo com muita calma”, lembra o escritor. Para ilustrar o livro, Araújo
convidou Fernando Dias, cujas charges são publicadas diariamente no
JC.
O gosto pela escrita já levou o autor a pensar em outras obras.
“Pretendo andar novamente pelas fronteiras do Brasil e coletar mais causos
para desenvolver um novo livro”, diz
empolgado.
Artesão
Não foi apenas o talento de
escritor que o tenente reformado Orlando Álvares de Araújo descobriu
depois de aposentado. A paixão pelos passarinhos o fez desenvolver um
outro talento: o de artesão. “Comecei a produzir minhas próprias gaiolas e
daí tive curiosidade para fazer outros objetos e deu certo”,
conta.
Atualmente, Araújo armazena em sua casa mais de 100 peças de
uso e decoração, como porta-guardanapos, caixas de chá, marcadores do jogo
de Truco e caixas para charuto. Todas foram confeccionadas a partir do
reaproveitamento de madeiras nobres. “Eu sou um amante da natureza, por
isso a preservo comprando móveis usados e aproveitando o material”,
ressalta.
Araújo pretende expor alguns de seus trabalhos no final
do ano em uma mostra em Ribeirão Preto. “Preciso produzir mais peças para
expô-las, mas vou me esforçar para conseguir produzi-las até a época das
festas de final de ano, quando a saída é boa”.
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Serviço
O livro “Coisas da Caserna e Estórias do Zé
Birruguinha” e os artesanatos podem ser encontrados na residência de
Araújo, localizada na rua Alto Juruá, 8-58. Bela Vista. Mais informações:
(14) 3232-1893. Ou http://www.editora.avbl.com.br/livros/causoscchb.htm
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